Os nomes com que designamos, nas línguas europeias, os quatro últimos meses do ano têm por implícito um ciclo anual de dez meses e não com os doze que hoje conhecemos.
Setembro corresponde etimologicamente ao sétimo mês do ciclo anual, Outubro ao oitavo, Novembro ao nono e para fechar o ano temos Dezembro, o mês dez! Curiosamente convivemos todos muito pacificamente com esta incongruência entre os termos que usamos e a realidade e os conceitos que achamos bons e correctos. Se, por um lado, aprendemos e sabemos que o ano é formado por doze meses, quando os nomeamos, contamo-los até dez. Há uma clara duplicidade entre a realidade histórica, cultural e linguística e os factos astronómicos.
O calendário latino estruturou-se, durante longos séculos, num ciclo anual de dez meses. O ciclo anual da vida civil era mais curto que o ano astronómico. Observava-se um desfasamento entre o tempo de calendário e o tempo da natureza com consequências mais sérias do que as linguísticas.
As diferenças entre o calendário civil de dez meses romanos e ciclo da natureza, com a sucessão das Estações, tornaram-se verdadeiramente evidentes com o regular atraso, no calendário, do início da Primavera a cada ano civil. Este fenómeno tornou-se um problema de importância maior. O ciclo do calendário era marcado, tal como o actual, por festividades associadas ao ciclo da natureza e por fenómenos astronómicos regulares como os equinócios e os solstícios. Para o resolverem, os romanos, povo pragmático, introduziram dois novos meses no calendário. O primeiro dedicado a Júlio César, o seguinte em honra a César Augusto, e colocá-los no Estio, a época da abundância das colheitas. Esses dois meses estavam imbuídos de um simbolismo tão elevado que nunca poderiam ser comparáveis aos restantes dez meses do ano civil. E não o foram; de tal forma que a contagem dos meses era suspensa nos finais de Junho e reiniciada lá por Setembro.
Foi assim que o mês de Setembro continuou a ser o sétimo na contagem.
Sujeito à aprovação em plenário do Cangalheiro a moção de ser interrompida a contagem dos meses nos dois meses imperiais. Que Setembro seja o sétimo mês do ano, Outubro o oitavo, Novembro o nono e, por fim, que o ano termine em Dezembro, o mês dez.
Salve...
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
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